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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

aurora profana


Aurora Profana

A vista a estrada alcança, avança
Densa mata escura augura
Fé constrói, corrói, destrói
Em ti na longa ida pensa

Quando sobre a mata plana
Fugaz sentido em si levanta
Breve som primórdio ecoa
Lava, cria, faz constança

Visão, o vão sentido, embaça
Calor e dor a mão engana
Da rosa aroma desvanece
Nem cor, sabor, odor revela
A tua aurora profana

A roda gira, a alma dança
Temor ausente inspira a paz
A mente tenta sem lembrança
Final sem ti não há
À existência. 


Revirando manuscritos, encontrei essa poesia aí, que escrevi há um ano, logo antes de deixar Brasília. Como blogs também se prestam a essas coisas, resolvi compartilhá-la aqui. Espero que tenham gostado. 


quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Engreno: um poema

Engreno
Máquina em movimento
Pára não pára não pára não pára
Mecânica da vida sem cor
Roda dentada engata corrói
Silvo sem alvo salto com dor
Paro de sobressalto:
Apito aviso anúncio marcador
Tens pele tens alma tens fervor
Máquina humana
Homem sem amor
Dor

quarta-feira, 16 de julho de 2008

meditações - I

Eu não sou nada nem ninguém.
Não resido aqui nem ali.
Não tenho memória nem conhecimento.
No mundo real, eu não estou.

Sou pó gerado na formação do cosmos.
Sou tudo o que há e sempre haverá, fora do tempo-espaço.
Eu estou, eu sou, eu vou.

Alinho-me à sede de todos os seres.
Sou galho e folhas enraizados na matriz do universo.

Sou o vinho e a cruz.
Sou o perdão e a luz.
Sou amor e sou fé.

(domingo, 15 de junho de 2008)