Participei hoje de um encontro com Jeff Carreira, em que ele fez uma palestra sobre "the nature of inquiry" (a natureza da inquirição). Foi tão bom que até resolvi voltar a escrever nesse blog, depois de tanto tempo, só para deixar registradas minhas percepções do que lá foi tratado.
Jeff dedica-se a identificar as raízes filosóficas da não-dualidade evolucionária entre pensadores norte-americanos. A não-dualidade evolucionária mereceria vários posts, mas por enquanto basta dizer que é a linha filosófica-espiritual liderada pelo guru pós-moderno Andrew Cohen, sobre quem já escrevi neste e em outros posts aqui no blog.
Segundo Jeff Carreira, as ideias de Cohen encontram amparo na filosofia norte-americana em Emerson, Charles Peirce, William James, John Dewey e Whitehead (este, embora britânico, teria tido seus anos acadêmicos mais produtivos depois que mudou para Harvard, já mais para o final de sua carreira).
Jeff Carreira recuperou as noções de "inquirição radical", de Peirce, de filosofia pragmática (James), da evolução da linguagem (Emerson) e das ideias como vórtices e fontes de mudança da realidade (Dewey). Essa base conceitual busca dar contexto filosófico à proposta de Andrew Cohen, que como sabemos teve forte influência das doutrinas hinduístas, tendo sido ele mesmo seguidor de um mestre Vedanta-Advaita por vários anos, até optar por seu próprio caminho. Ao enraizar o pensamento de Cohen na filosofia norte-americana, Carreira não somente oferece ao público do Novo Mundo um modelo filosófico próprio, autóctone, independente de raízes hindus, mas também recupera para esse mesmo público alguns valores filosóficos que estão na base da sociedade norte-americana, e de tão enraizados, são dados como naturais e inquestionáveis. Ninguém lembra, por exemplo, que o estilo pragmático e voltado a resultados, tão típico dessa sociedade, está respaldado no pragmatismo de William James, que apresenta o ser humano como mais um método de organização da realidade.
Mas o que mais me interessou foram as ideias de Charles Sanders Pierce. um filósofo revisionista radical, que levou a teoria da evolução darwiniana às últimas consequências, ao propor que a evolução não se limita às espécies, mas se estende à realidade como um todo. Ideias também estão em constante processo de evolução, o próprio tempo sequencial e o espaço 3D seriam resultado de um processo evolutivo. Definitivamente, terei que ler mais sobre esse pensador visionário.
Andrew Cohen se dedica a tentar explicar a natureza da consciência. Propõe que a condição humana é universal, e nossa ilusão de separatividade é produto de um processo evolutivo do Cosmos. A consciência, nesse contexto, não seria individual, o que quer que tenha consciência em cada um de nós seria a manifestação de uma única consciência universal, querendo expressar-se para realizar a si própria. Isso tudo por nosso intermédio.
Minha conclusão (parcial, subjetiva e provavelmente errada) é que os limites da nossa mente, pela lógica e pela razão, não permitem que tenhamos compreensão sobre a natureza da consciência, muito menos o seu propósito. A inquirição filosófica a que se dedica Jeff Carreira pode estar certa ou errada, isso nunca saberemos. Mas se estiver certa, e nós formos mesmo um meio para a expressão da consciência universal, isso muda radicalmente o modo de percebermos o mundo e nele atuarmos. Porque, se isso for verdade, não pode haver nada de mais importante na vida, do que colocarmo-nos à disposição do universo, assumirmos a humilde postura de sermos apenas instrumentos para a expressão de um propósito muito maior do que jamais teremos capacidade de perceber.
E isso, para mim, faz todo o sentido.
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sábado, 25 de setembro de 2010
segunda-feira, 6 de abril de 2009
como transcender a pós-modernidade?
Acabo de voltar de um retiro de fim de semana em Lenox, Massachusetts, com Andrew Cohen (foto), o guru americano da pós-pós-modernidade. Foi uma experiência fascinante, ainda tenho que digerir tantos conceitos revolucionários de quem está engajado em criar a consciência para uma nova era, que transcenda a pós-modernidade, esse período caracterizado pelo narcisismo, nihilismo, exacerbação do ego e separatividade. A visão de Andrew é fascinante, descreve o processo evolutivo da consciência como parte de um processo maior, cósmico, infinito, um impulso evolutivo primordial que se desenrola desde o Big Bang e prossegue no ato de criar a si mesmo por intermédio das nossas próprias consciências individuais. Seu ensinamento nos reposiciona diante do cosmos. Retira-nos do centro, porém mantém nossa importância essencial a todo o processo, porque o caminho da evolução se daria pela emergência de uma consciência coletiva, transpessoal, da qual somos veículos, e pela qual temos total responsabilidade. Registrei minhas impressões em outro blog, para iniciados e interessados em assuntos de consciência e evolução. Quem tiver interesse, pode ler na íntegra em para crescermos juntos.
quarta-feira, 27 de agosto de 2008
alguém topa repensar o futuro?
Neste início de milênio, é urgente que comecemos a definir um novo contexto filosófico, moral e espiritual que, com profundidade e amplitude de visão, seja capaz de incorporar a natureza multidimensional da manifestação humana, em toda a sua complexidade.
A parte mais importante desse projeto é, quero crer, o desejo de transformação das relações humanas, mediante a união de indivíduos em torno de um propósito maior, de modo a que mais e mais de nós sejamos capazes de intuir diretamente da fonte os contornos e parâmetros desse novo contexto social, na dianteira da evolução da própria consciência humana.
(inspirado em Andrew Cohen)
A parte mais importante desse projeto é, quero crer, o desejo de transformação das relações humanas, mediante a união de indivíduos em torno de um propósito maior, de modo a que mais e mais de nós sejamos capazes de intuir diretamente da fonte os contornos e parâmetros desse novo contexto social, na dianteira da evolução da própria consciência humana.
(inspirado em Andrew Cohen)
segunda-feira, 28 de julho de 2008
Andrew Cohen sobre a criação da coonsciência
Quatorze bilhões de anos atrás, uma tremenda energia surgiu do vazio, e com o tempo evoluiu da luz para a matéria e da matéria para a vida. E com a emergência da vida, a consciência entrou no curso do tempo. Vida e consciência são uma coisa só, e quanto mais complexa for a forma de vida, maior é a sua capacidade de ter consciência. O que é tão milagroso sobre os seres humanos é que por conta do nosso cérebro altamente evoluído, temos a capacidade única de saber que sabemos. No despertar humano, a consciência ganhou a capacidade para conhecer a si mesma e a tudo o que existe dentro de si, o que inclui todo o processo evolucionário que deu origem àquela própria capacidade.
fonte: http://www.andrewcohen.org/teachings/new-enlightenment.asp
fonte: http://www.andrewcohen.org/teachings/new-enlightenment.asp
quarta-feira, 11 de junho de 2008
Andrew Cohen disse...
"Nos níveis inferiores de desenvolvimento, a consciência humana pode ser definida como egocêntrica, e nesse nível, o self não vê contexto além de si próprio. Com o desenvolvimento da consciência, ela se torna etnocêntrica - expande-se ao contexto da família, da tribo, da nação, ou das grandes tradições espirituais. Muitos dos problemas que nós enfrentamos no mundo de hoje derivam desse nível de consciência - da inabilidade de uma nação ou religião em ver além de si própria. É por isso que há uma tremenda urgência para que mais e mais seres humanos evoluam para além da consciência etnocêntrica, para o que nós poderíamos chamar de consciência global ("worldcentric"), na qual nos vemos primordialmente como cidadãos deste planeta, em vez de membros de uma tribo ou nação ou religião em particular."Fonte: http://www.andrewcohen.org/teachings/context-is-everything.asp
Imagem: mi2g
quinta-feira, 5 de junho de 2008
algo me atrai nesse discurso
"Nenhum indivíduo ou grupo escolhe conscientemente poluir ou superpovoar o planeta. Simplesmente por causa da falta de consciência, por uma perspectiva auto-centrada e obtusa de indivíduos e de culturas inteiras, nós criamos a crise em que nos encontramos. E não é que não tenhamos os meios práticos para lidar com os problemas que temos, é que ainda estamos olhando para esses problemas da mesma velha perspectiva que os criou. Então há um salto que precisa deseperadamente ser dado por uma minoria significativa - um salto de consciência, um salto moral, um salto espiritual. Precisamos evoluir nossa consciência além desse nível de desenvolvimento, essa perspectiva auto-centrada e de mente pequena, para uma visão bem superior e mais abrangente. "
(tradução de texto de Andrew Cohen)
(tradução de texto de Andrew Cohen)
segunda-feira, 2 de junho de 2008
trecho do blog de Andrew Cohen que me chamou a atenção
minha tradução:
"Aqueles de nós que estamos na dianteira na cultura ocidental já atingimos alto nível de individualismo e liberdade pessoal, mas nesse processo, nós parecemos ter perdido contato com um sentido maior de propósito e conexão. Nós chegamos ao fim da linha, e para avançarmos ao próximo estágio da evolução coletiva, precisamos encontrar um modo de nos unirmos. Precisamos saltar para além da individualidade, para uma unidade superior, na qual nós podemos encontrar soluções para as várias e desesperadoras crises globais que enfrentamos."
original (porque nenhuma tradução é confiável...):
"Those of us at the leading edge in Western culture have reached a very high level of individuation and personal freedom, but in the process we seem to have lost touch with a larger sense of purpose and connectedness. We've reached a dead end, and in order to move to the next stage in our collective evolution, we need to find a way to come together. We need to take a leap beyond individuality to a higher unity in which we can find enlightened solutions to the many desperate global crises that confront us."
Fonte: http://www.andrewcohen.org/andrew/revolution-consciousness-culture.asp?ifr=hpNews
"Aqueles de nós que estamos na dianteira na cultura ocidental já atingimos alto nível de individualismo e liberdade pessoal, mas nesse processo, nós parecemos ter perdido contato com um sentido maior de propósito e conexão. Nós chegamos ao fim da linha, e para avançarmos ao próximo estágio da evolução coletiva, precisamos encontrar um modo de nos unirmos. Precisamos saltar para além da individualidade, para uma unidade superior, na qual nós podemos encontrar soluções para as várias e desesperadoras crises globais que enfrentamos."
original (porque nenhuma tradução é confiável...):
"Those of us at the leading edge in Western culture have reached a very high level of individuation and personal freedom, but in the process we seem to have lost touch with a larger sense of purpose and connectedness. We've reached a dead end, and in order to move to the next stage in our collective evolution, we need to find a way to come together. We need to take a leap beyond individuality to a higher unity in which we can find enlightened solutions to the many desperate global crises that confront us."
Fonte: http://www.andrewcohen.org/andrew/revolution-consciousness-culture.asp?ifr=hpNews
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