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segunda-feira, 6 de abril de 2009

como transcender a pós-modernidade?

Acabo de voltar de um retiro de fim de semana em Lenox, Massachusetts, com Andrew Cohen (foto), o guru americano da pós-pós-modernidade. Foi uma experiência fascinante, ainda tenho que digerir tantos conceitos revolucionários de quem está engajado em criar a consciência para uma nova era, que transcenda a pós-modernidade, esse período caracterizado pelo narcisismo, nihilismo, exacerbação do ego e separatividade. A visão de Andrew é fascinante, descreve o processo evolutivo da consciência como parte de um processo maior, cósmico, infinito, um impulso evolutivo primordial que se desenrola desde o Big Bang e prossegue no ato de criar a si mesmo por intermédio das nossas próprias consciências individuais. Seu ensinamento nos reposiciona diante do cosmos. Retira-nos do centro, porém mantém nossa importância essencial a todo o processo, porque o caminho da evolução se daria pela emergência de uma consciência coletiva, transpessoal, da qual somos veículos, e pela qual temos total responsabilidade. 
Registrei minhas impressões em outro blog, para iniciados e interessados em assuntos de consciência e evolução. Quem tiver interesse, pode ler na íntegra em para crescermos juntos

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

ego

No texto que publiquei no solstício de inverno (do hemisfério norte), chamado Mordor, recebi alguns comentários sobre as referências que fiz ao ego e à necessidade de que ele seja aniquilado, como condição para o surgimento de consciência mais alinhada com nossos verdadeiros propósitos de vida, da mesma forma que Frodo teve de empreender a jornada heróica e sofrida para retornar o anel à lava vulcânica de onde havia sido feito, para lá derretê-lo.

Recebi alguns comentários em defesa do ego e achei que valeria a pena retomar essa noção. Achei noutro blog (The Cleaver) o seguinte trecho (tradução minha), que bem ilustra o que tento transmitir:

"Como se vestisse o quepe branco do capitão, o ego toma o timão, mesmo que ele não tenha a experiência suficiente para navegar. O verdadeiro trabalho do ego é cuidar dos impulsos de sobrevivência, tais como comer, beber, reproduzir, reunir-se em tribos, lutar ou fugir. Ele não está equipado para comandar uma nave grande e complexa. Consequentemente, faz uma série de erros, perde-se, avança sobre águas turbulentas e colide com outros egos. Com frequência, infringe dano em si mesmo e nos outros. Do mesmo modo, buscando justificar-se entre uma teoria ou outra, o ego só consegue alcançar resultados medíocres, se comparados com o comando magnífico e brilhante do self superior. Precisamos necessariamente convencer o ego a tomar o assento traseiro.
(...)
Ser quem você é não é nenhum vago sentimento da Nova Era. É uma disciplina rigorosa de trabalho pessoal para adquirir a consciência do presente. É uma trajetória espiritual natural. Ao trazermos nossa atenção ao momento presente, desconectamos os mecanismos egóicos da mente e a liberamos do fluxo da temporalidade. Saímos do loop do tempo (a terceira dimensão); a mente se torna imediatamente mais profunda e conectada (com a quarta dimensão). Esta é a jornada heróica do verdadeiro ser. Isso é filosofia, psicologia, espiritualidade, ciência e arte. É a realidade viva de observar nosso Dharma, nosso sagrado caminho pessoal, dia a dia, todos os dias.

Pensar e fazer são periféricos. Ser é tudo. Ser é agora. Isto é sabedoria antiga, profunda e autêntica. É o conhecimento que mais uma vez brota à superfície em milhares de mentes, retirando-as pouco a pouco da grande e recorrente amnésia da humanidade."

Não se trata, de fato de aniquilar o ego, mas de retirá-lo do comando, de compreender que existe uma força condutora nesse cosmos que é superior à nossa compreensão e que dela somos partes inseparáveis. Trata-se de deixar de lado a tola idéia de querer controlar tudo, dominar a natureza, saber-se senhor do universo. Não quero com isso desmerecer os avanços científicos que a humanidade logrou ao longo dos milênios. A mente racional, lógica, cartesiana, foi essencial para, desde o Iluminismo, alçar-nos ao patamar de consciência de que desfrutamos hoje. Parece-me, no entanto, que nossa evolução não para aqui e que o novo e significativo passo da humanidade dependerá menos do empirismo da ciência e mais da mudança de atitude e consciência interna a respeito dos fatos da vida. Essa é a mudança mais revolucionária que podemos almejar: a da nossa consciência. Se não formos capazes de ascender a um novo patamar de compreensão de nós mesmos e do nosso propósito aqui na Terra, se continuarmos a agir como consumidores hipnotizados pelos encantos materiais, se fecharmos os olhos às mudanças que se aceleram à nossa volta, como teremos condições de evitar a destruição total e o caos?

Bem, talvez
seja o caos parte indispensável da nossa aprendizagem, quem sabe? A malha da civilização está tensa, parece rumar para um ponto-limite, o ponto sem retorno, se é que já não tenhamos passado dele. O reordenamento da vida em torno de novos valores não se fará sem um período de caos e destruição. O apego ao ego, assim como às coisas materiais, só aumentará nosso sofrimento. Por isso, parece ter chegado a hora de empurrarmos o ego para o banco traseiro e entregarmos o controle da nave da nossa existência para o self superior, o self autêntico, o eu verdadeiro, ou como quer que o chamemos.


quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

responsabilidade ou culpa?

“Nenhum homem é uma ilha”, disse Teilhard de Chardin, mas em muitos aspectos parece que continuamos a agir como se fôssemos isolados, cercados cada um por uma bolha individual e indevassável, separados da coletividade, do meio ambiente, da economia, da política, do resto do planeta. 

Existe o Universo e existo eu.
O mundo está aí fora e eu aqui, no meu mundinho privado e separado, com as preocupações que considero só minhas, de mais ninguém. Nesse sentido, sinto-me único, peculiar, autônomo e distinto do resto. Quero soluções para a violência urbana, pois vejo-me na condição de vítima potencial desse flagelo moderno que acentua em mim o medo de sair à rua e limita minha capacidade de interagir com a sociedade e a natureza. Mas a violência está lá, é um dado externo e fora do meu controle, e aparentemente não há nada que eu possa fazer a respeito. Posso facilmente apontar “os culpados”: os políticos que pensam em se locupletar dos recursos públicos e não cuidam da saúde nem das instituições sociais; os traficantes, que invadem a periferia com seus produtos de lucro fácil, as drogas, e lançam desafio ao poder constituído; os filhinhos de papai, alienados e drogados, que financiam a manutenção desse complexo de drogas e violência; a polícia corrupta e mal-remunerada, leniente com a criminalidade; o sistema econômico, injusto e discriminatório, que exclui importante parcela da população dos benefícios da cidadania, lançando-os inevitavelmente ao mundo paralelo da droga, do crime e da violência; a falta de fé e esperança num futuro melhor; e muitos outros. 

Nessa lista, não tenho a capacidade de me incluir, de assumir parcela da responsabilidade pelo caos social, de que a violência nas ruas é um dos aspectos mais visíveis. 
Levo minha vida honestamente (com algumas mentirinhas bobas, de vez em quando, que não chegam a desmerecer minha imagem diante da sociedade), pago meus impostos (exceto quando a pouca fiscalização permite que eu burle alguma regrinha sem importância e reduza unilateralmente a carga fiscal que me é imposta – aliás excessiva e desmesurada), vou à igreja (certo, de vez em quando, numa missa de sétimo dia ou num casamento), faço caridade (sobretudo perto das festas de fim de ano, o que reduz minha culpa e permite saborear melhor a ceia de Natal), voto com consciência (não me pergunte se acompanho a atuação dos eleitos para me representar), enfim, vivo com a consciência limpa e mantenho atividade social e comunitária. E sofro com os flagelos do mundo, que existem e se agravam a cada dia, apesar de mim. 


"Eu, responsável pelo caos do mundo? Era só o que me faltava! Já basta a minha culpa judaico-cristã, que me faz sofrer em solidariedade às chagas e maldades da história, e que nem dez anos de psicanálise conseguiriam aliviar. E agora você quer que eu carregue o mundo nas costas? Assuma responsabilidade pelo caos que os outros, bandidos e picaretas de todo o gênero, criaram? Nem pensar! "


Este raciocínio resulta de um erro de perspectiva. Continuamos considerando que somos seres especiais, à parte, isolados do resto. Recusamo-nos a incluir a nós mesmos nos processos sociais e políticos “lá de fora”. É uma posição confortável, afinal é mais fácil apontar o dedo para os outros, colocar a culpa nos políticos, e seguir a minha vida como vítima dessa situação que não criei e pela qual não assumo qualquer responsabilidade. 


Numa perspectiva integrada, no entanto, é imperioso eliminar o véu do narcisismo que nos separa do resto. O resultado é a união a um processo maior, de evolução da consciência coletiva, que ocorre desde que o mundo é mundo, processo do qual não somos observadores nem analistas muito menos vítimas, mas partes integradas e solidárias, responsáveis mesmo pelos desdobramentos que afetam minha casa, meu bairro, minha cidade, minha nação, meu planeta. 


Associar-se conscientemente a esse processo coletivo de criação parece ser o desafio do novo milênio, o próximo passo natural na evolução da consciência que é a própria vida. Essa não é uma tarefa fácil nem evidente, mas é cada dia mais necessária. 

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

O ego e o espírito



O ego busca a paz — o espírito vive na paz.

O ego busca o amor — o espírito distribui livremente o amor.

O ego busca constantemente a felicidade — o espírito vive nela.

O ego busca o controle — o espírito é totalmente livre.

O ego busca a longevidade — o espírito é imortal.

O ego acumula informação — o espírito é Conhecimento Supremo.

O ego está limitado pelo tempo e pelo espaço — o espirito é ilimitado.

O ego é só um entre muitos — o espírito é a própria vida.

O ego é falso — o espírito é real.

O ego quer mais e mais — o espírito tem tudo!

Fonte:
Shortcut to Spirituality: Mastering the Art of Inner Peace
Bob Gottfried
Págs. 118-119 (original em inglês)

quinta-feira, 12 de junho de 2008

12 de junho - dia para falar de amor

Não sei se é por causa das duplas caipiras ou das canções do Rei, o fato é que falar de amor, nos nossos dias, virou uma coisa no mínimo brega. Fugimos do assunto como se não quiséssemos sentir, como se a sociedade exigisse de nós a renúncia a esse sentimento, em favor de uma postura intelectual, lógica, segura. Afinal, queremos parecer racionais, evoluídos e bem-sucedidos, e nessa máscara social, o amor acaba ficando sem espaço para manifestar-se.
Mas o fato é que amamos, amamos muito, todo o tempo, e na maioria das vezes nem sabemos exatamente o que isso quer dizer. Às vezes, confundimos o amor com paixão, com dependência psicológica, outras vezes achamos que amar é suprir uma lacuna de afeto que trazemos desde a infância, e daí começamos a cobrar respostas e sofrer quando elas não vêm. Então, para evitarmos sofrer, sufocamos o sentimento, e com ele vai também aquela possibilidade única, verdadeiramente humana, de oferecermos todo o nosso potencial em favor do outro, em favor da humanidade, em ato de comunhão e vida.
Esquecemos, por vezes, que o amor é um poder divino. É ele que nos aproxima de Deus, que nos faz crescer como pessoas, que nos inspira a criatividade, que nos diferencia da frieza das máquinas e que nos estimula a sentimentos ainda mais nobres, como a compaixão e o perdão.
O amor não impõe condições nem espera retorno. O amor está acima da mesquinhez do ego e da aritmética do "o que eu vou levar em troca?". O amor existe, é, e basta. Seu sentir nos eleva
acima do ego, do desejo, das paixões, da mente. Amamos quando não exigimos retorno, para logo depois ficarmos surpresos e felizes com o amor que nos retorna pelas vias mais inesperadas.
Qual a sua compreensão de amor? Você se ama? Como você tem sintonizado ultimamente com as freqüências elevadas do amor, do perdão, da compaixão? Eis uma sugestão de reflexão pessoal neste dia dedicado aos nossos amores. "Ame e dê vexame", escreveu Roberto Freire. O que temos para nos envergonhar desse sentimento tão nobre?