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sexta-feira, 7 de novembro de 2008

poder

Vejam que interessante esse site de ativismo político internacional: www.avaaz.org. É uma rede que permite que pessoas de todos os cantos do planeta se mobilizem para fazer parte de ações concretas que envolvem grandes problemas que a humanidade enfrenta como o aquecimento global, a paz no Oriente Médio, pobreza e direitos humanos. Dê uma olhada no site em português: http://www.avaaz.org

Que a Internet permite maior participação e ativismo político, não há dúvida. Então, por que não participar também?

A campanha mais recente é o envio de mensagens de apoio ao Obama, e a mensagem que divulgam é a seguinte:
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Depois de 8 longos anos de Bush, chegou a hora de um novo começo! Há muitos interesses em jogo na política americana, mas a vitória do Obama simboliza uma nova chance para os EUA se aliarem à comunidade global para encarar desafios urgentes como mudanças climáticas, direitos humanos e paz. Depois de uma longa história de decepções com o governo norte-americano, o Obama despertou um sentimento de esperança e reconciliação nunca visto antes. Vamos enviar uma mensagem parabenizando e convidando o novo presidente e o povo norte-americano a trabalharmos juntos pelos desafios enfrentados no nosso planeta. Nós construímos um enorme mural perto da Casa Branca em Washington DC onde vamos postar o número de assinaturas da nossa mensagem e colar mensagens pessoais recebidas do mundo todo. Quanto mais mensagens forem enviadas, mais o mural vai crescer dentro das próximas horas. Nós pedimos para o Obama receber pessoalmente nossas mensagens, por isso vamos tentar conseguir 1 milhão de assinaturas! Clique no link para ver a mensagem que escrevemos ou escrever a sua própria:
Este é um momento de celebração mas as mudanças não serão fáceis: a indústria do petróleo, da guerra e o lobby conservador são bem fortes nos EUA. O mesmo grupo poderoso que planejou a guerra no Iraque está se preparando para deter as mudanças propostas pelo novo governo. O Obama prometeu trabalhar pela integração nacional, mas não podemos permitir que ele ceda aos conservadores em troca de conchavos políticos. Vamos enviar uma mensagem de incentivo ao Obama, lembrando-o de se manter firme nos assuntos globais mais urgentes. Contamos com o cumprimento das promessas de campanha, que defenderam um tratado forte contra as mudanças climáticas, o fim da tortura e o fechamento do presídio de Guantanamo, o estabelecimento de um plano cuidadoso para a retirada das tropas do Iraque e a duplicação dos recursos destinados ao combate à pobreza global. Nunca antes na história um presidente norte-americano esteve tão aberto para nos escutar.  
Vamos enfatizar o fato de que a maioria dos assuntos, como a crise financeira e o aquecimento global, só poderão ser resolvidos através de uma solução global, com o mundo todo trabalhando junto. Clique no link para ler e a assinar a nossa mensagem, depois encaminhe este email para seus amigos: 

Com esperança, Ricken, Brett, Alice, Iain, Paula, Paul, Graziela, Pascal, Milena e toda a equipe Avaaz PS – 
Mande uma foto sua para o nosso mural: envie-a para obamawall@avaaz.org  
Saiba mais sobre as outras campanhas da Avaaz – http://www.avaaz.org/po/report_back_2/ 
Veja a lista das 10 promessas de campanha do Obama que estão relacionadas a assuntos globais.
* Reduzir as emissões de carbono dos EUA em até 80% até 2050 e ter um papel mais forte e positivo na negociação do tratado global que irá dar continuidade ao Protocolo de Quioto
* Retirar todas as tropas do Iraque dentro de 16 meses e não manter nenhuma base permanente no país
* Estabelecer uma meta clara para eliminar todo o armamento nuclear do planeta
* Fechar o presídio de Guantanamo
* Dobrar o apoio financeiro para reduzir pela metade a extrema pobreza até 2050 e contribuir para a luta contra o HIV/AIDS, a tuberculose e a malária
* Abrir um diálogo diplomático com países como o Irã e a Síria para buscar uma solução pacífica para tensões políticas
* Desmilitarizar o serviço norte-americano de inteligência para evitar o tipo de manipulação que gerou a guerra no Iraque  
* Lançar um grande esforço diplomático para cessar a matança em Darfur
* Somente negociar novos tratados comerciais que contenham proteções trabalhistas e ambientais para os países envolvidos
  * Investir USD $ 150 bilhões nos próximos 10 anos em energias renováveis e colocar 1 milhão de carros elétricos nas ruas até 2015

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

confiança

Não queria falar da crise financeira. Primeiro, porque não sou economista, segundo porque fatos e versões abundam por aí. Mas é irresistível, sobretudo daqui de Washington, onde não se fala de outra coisa, além da campanha eleitoral. Aliás, a crise virou também o monotema da campanha, sem que se consiga identificar com clareza soluções apresentadas nem por Obama nem por McCain. Será que eles conseguem?
A crise dos mercados financeiros é uma crise de confiança. Coluna dorsal do capitalismo financeiro, o crédito lastreado em dívida vem há décadas mantendo padrões de consumo totalmente descolados da realidade. Toda a economia gira em torno da promessa de que títulos de dívida serão honrados no prazo. Para quê imobilizar capital num imóvel, por exemplo? Melhor fazer uma hipoteca a juros baixos e prazo longo e usar o dinheiro no consumo, movimentando assim a economia numa espiral ascendente e virtuosa. Minha dívida, ou seja, a promessa de pagamento que assinei no banco, é então transformada pelo banco em dinheiro, que é emprestado para outros que entram na mesma onda. O dinheiro é "alavancado" em fundos de ações, derivativos, "hedges" e outros títulos de nomes pomposos, todos ancorados na promessa de que as dívidas serão pagas. E e o bolo vai crescendo, crescendo, crescendo e mostrando vitalidade, riqueza e altos lucros, resultantes do próprio dinheiro emprestado. Ou seja, aqui, dinheiro é dívida; é a dívida, não o trabalho, o que gera a riqueza desse país.
E se, por algum motivo, alguns desses milhões de endividados começam a atrasar os pagamentos? O dinheiro que os bancos milagrosamente produziram, tendo como lastro os títulos de dívida dos cidadãos, começa a se tornar escasso. Os bancos retomam, sim, na justiça, boa parte dos imóveis dados em garantia dos empréstimos, mas até lá os preços dos imóveis despencaram, por conta da maior oferta, falta crédito (originado das dívidas, lembra?) para emprestar a novos compradores, e a espiral ascendente logo começa a frear e retroceder. Os bancos começam a trabalhar "no vermelho", não conseguem mais obter empréstimos para alimentar o esquema, não conseguem $$ nem mesmo de outros bancos, que passam a desconfiar da saúde financeira dos demais, e se cria um círculo vicioso. Quando um ou dois grandes bancos vêm a público declarar que têm muita dívida "tóxica", ou seja, não conseguem mais produzir dinheiro a partir dos seus empréstimos, suas ações despencam, seus clientes querem tirar de lá seus recursos, e por quê? Por falta de confiança no sistema. Tendência natural do ser humano nessas horas é querer salvar o seu. Como dinheiro não é riqueza, dinheiro é dívida, quando a dívida não é honrada, o dinheiro não existe!
O crédito é o oxigênio da economia. Sem ele, asfixiam-se as transações reais - compras de automóveis, bens de consumo pessoal, viagens, até gasolina e comida. O resultado é a recessão, normalmente sucedânea de momentos de crise financeira como o atual. Ou seja, a crise está só começando. Veja o estrago que o abalo de confiança é capaz de fazer.
Qual a saída? "Restaurar a confiança nos mercados financeiros para que eles voltem a emprestar", é o que mais se fala por aqui. Mas como? Confiança não é um conceito objetivo, racional, controlável. Pode-se levar uma vida para construí-la e basta um mau momento para destruí-la irreparavelmente. Pense em alguém que mentiu para você e você descobriu porque outros lhe contaram. Você vai readquirir confiança naquela pessoa? Imagine todo um sistema financeiro desacreditado. Você aplicaria seu dinheiro nele? As grandes decisões econômicas têm portanto origem subjetiva, emocional e imprevisível.
Mas e o governo? Acho que Bush não ajudou muito. Ao anunciar a catástrofe, só fez precipitá-la. Ao querer liderar a resposta vultosa do governo, com o pacote de 700 bilhões de dólares em recursos públicos para resgatar os ativos "tóxicos" dos bancos, revelou um país à deriva. Sem plano B, o pacote acabou aprovado "de segunda", após negociações e concessões que podem ter minado ainda mais o objetivo principal, que era restaurar a confiança nos mercados.
Serão 700 bilhões suficientes? Ninguém mais acredita. Confiança não se cria por decreto. E de onde vem esse poder fenomenal, capaz de criar, numa só penada, 700 bilhões de dólares? Será que esse dinheiro existe, ou ele está sendo criado também com base na "confiança" de que o governo sabe o que faz?
Como os Estados Unidos são a locomotiva da economia mundial, a crise que começou aqui logo se alastrou para o mundo. Sem poder resolvê-la aqui, agora o governo Bush vai reunir autoridades financeiras dos principais países (talvez até convidem o Brasil) para buscar uma solução coletiva e urgente. Provavelmente pensam em socializar o prejuízo, sob o argumento de que, se não pagarmos a conta para restabelecer o sistema funcionando, nós sofreremos mais, já que somos periféricos e dependentes.
Os mercados financeiros são uma grande ilusão. Circulam diariamente bilhões de dólares que nunca existiram e provavelmente nunca existirão, a não ser na ficção de contas feitas com a promessa de lucro fácil e nenhum esforço. Talvez estejamos assistindo, sim, ao fim do capitalismo financeiro mundial. E com ele o fim da liderança norte-americana. Mas o que a sucederá?

terça-feira, 3 de junho de 2008

vida e morte no mundo virtual

A imprensa daqui divulgou, recentemente, o caso da adolescente que se suicidou depois que o namorado virtual terminou com ela. A ética do jornalismo evita que casos de suicídio sejam divulgados. Mas esse teve seu lado perverso e virou notícia. Não sei se a imprensa no Brasil falou no assunto.

Megan Meier, de 13 anos, tirou a própria vida quando recebeu um fora de Josh Evan, 16, com quem nunca se encontrara pessoalmente. O namoro ocorria nas salas de bate-papo e no MySpace. Ao terminar o relacionamento, o namoradinho teria mandado a ela uma mensagem em que dizia "o mundo seria melhor se você não existisse". A menina levou o comentário ao pé da letra e se enforcou no próprio quarto. Mas o lado perverso da notícia vem agora: era Josh Evan que não existia, a conta do MySpace era fictícia, um perfil falso que havia sido criado pela vizinha, Lori Drew, mãe da melhor amiga da Megan, para tentar saber o que a filha e a amiga andavam aprontando.

Isso aconteceu em 2006 e voltou às manchetes agora porque o ministério público finalmente encontrou uma base legal para processar a vizinha megera. A acusação: acesso não-autorizado a dados pessoais protegidos. Parece pouco e é - a pena máxima nesses casos é de cinco anos de cadeia. Ou não, se considerarmos que a vizinha não tinha a intenção. De qualquer modo, esse caso mostra que as bases legais válidas antes da Internet não servem mais, precisam ser atualizadas, ou o Estado não terá instrumentos efetivos para reprimir a violência on-line, com reflexos bem concretos.

O que você acha, a vizinha merece ir para a cadeia ou não? Deixe um comentário.